Blog

B2B pricing strategy: por que 80% das empresas deixa o preço na mão do vendedor e chama isso de estratégia

A cena é clássica. O vendedor fecha a call, olha para a planilha de preços, respira fundo e aplica 15% de desconto porque “o cliente pediu”. Ninguém aprova, ninguém questiona, ninguém mede o impacto. No fim do trimestre, a margem encolheu e todo mundo procura culpado.

Segundo a Simon-Kucher & Partners, quase 80% das empresas deixam as decisões de preço nas mãos dos vendedores. O resultado é previsível: descontos inconsistentes, margem que vaza silenciosamente e uma estratégia de pricing que existe no PowerPoint mas não na prática.

B2B pricing strategy é o conjunto de decisões estruturadas que define quanto uma empresa cobra pelos seus produtos ou serviços, baseando-se no valor entregue ao cliente e não apenas no custo de produção ou no que o concorrente pratica.

O acordo que ninguém assina

Em B2B, o preço não é um número. É um contrato de valor. O problema é que esse contrato raramente está escrito.

O vendedor tem uma tabela. O financeiro tem outra. O cliente tem uma terceira, que descobriu num RFP do concorrente. Quando alguém pergunta “qual é o nosso preço real?”, três pessoas dão três respostas diferentes. E nenhuma delas é a que o cliente acabou pagando.

A McKinsey mostrou que um aumento de 1% no preço, mantendo o volume constante, gera um aumento de ~11% no lucro operacional. Para comparação: 1% de redução de custo gera ~6,7%, e 1% de aumento de volume gera ~3,6%. Pricing é, de longe, a alavanca de maior ROI. E é a que menos gente toca.

Onde a margem vaza

A EY calcula que ineficiências de pricing podem reduzir o EBIT em 2 a 5% das vendas. Para uma empresa com 200 milhões de faturamento, isso são 4 a 10 milhões por ano. Não é um detalhe. É um buraco no casco.

Os pontos de fuga mais comuns:

  • Desconto reativo: 70% dos descontos concedidos em B2B são desnecessários, segundo análise da Sumendit. O cliente pede porque sempre pede. O vendedor concede porque sempre concede.
  • Cost-plus pricing em produtos de alto valor: calcular custo e adicionar markup é simples e transparente. Também é a forma mais eficiente de deixar dinheiro na mesa. Se o seu produto economiza 500 mil por ano do cliente e você cobra 50 mil porque “é o dobro do custo”, o cliente está levando 450 mil de valor de graça.
  • Tabela estática: 43% das empresas de SaaS acreditam estar cobrando abaixo do mercado. Apenas 24% fazem testes de preço com regularidade. O resto usa a mesma tabela há dois anos e chama isso de “consistência”.

Tradução de chão de fábrica: “preço dinâmico” não é um algoritmo de IA ajustando centenas em tempo real. É o comercial saber que a conta que usa o produto 8 horas por dia pode pagar mais do que a que usa 2 horas, e ter coragem de cobrar diferente.

Antes e depois: de tabela para arquitetura

Pricing em B2B era tabela de Excel. Virou arquitetura de valor.

A diferença não é semântica. Uma tabela é um número que você defende. Uma arquitetura é um sistema que segmenta por perfil de cliente, alinha métrica de cobrança com valor entregue e dá ao vendedor uma estrutura de desconto com limites claros, não um campo livre no CRM.

O estudo da Simon-Kucher de 2025 é direto: 86% das empresas com crescimento de receita viram expansão de margem material vinda de pricing. Mas a realização de preço caiu para 43%. Ou seja, as empresas sabem que pricing é estratégico. A maioria não consegue executar.

O preço de não ter pricing

Uma empresa B2B sem função de pricing dedicada não tem estratégia de preço. Tem uma coleção de decisões individuais que ninguém consolida. Mais de 60% das empresas mid-market não têm ninguém responsável por pricing, segundo a Jennings Executive.

O custo disso não aparece no P&L como “perda por mau pricing”. Aparece como “margem abaixo do esperado”, “ciclo de vendas longo” ou “churn de clientes que compraram barato e não veem valor”. É um custo invisível até alguém ir comparar com o concorrente que cobra 30% mais e tem NRR maior.

Empresas que contratam um líder de pricing veem, em média, melhoria de 4,2% na margem e aumento de 9% na taxa de fechamento de deals, segundo um case reportado pela Jennings. Não é magia. É alguém olhando para os números que já estavam lá.

A pergunta que fica

Se o seu vendedor pode dar 15% de desconto sem pedir aprovação para ninguém, você tem uma estratégia de pricing ou uma sugestão de preço?